Resolvi dedicar um pouco de meu tempo somente para postar uma história. A minha história.
Sexta-feira, 15 de outubro de 2010.
Venci a preguiça, encarei o trânsito, ignorei minha cólica, desafiei minhas dúvidas, corri de um tarado, tudo pra te encontrar. Meu dia anterior havia sido uma tragédia, o que havia me deixado desconcertada. Parecia que eu estava sentindo...
Ao chegar à sua casa, você estava com aquela blusa regata verde, um rabo de cavalo prendia os seus cabelos, estava linda. Esperei até você terminar o seu trabalho, e quando finalmente suas amigas foram embora, eu pude presenciar uma das cenas mais lindas que eu já vi. Como num daqueles filmes de romance, você veio correndo na minha direção, um sorriso nos lábios cheio de ternura, uma expressão de felicidade, cheia de saudade. É difícil pra mim admitir que no momento que seus lábios tocaram os meus... Ah, aquele momento, meu coração tropeçou, parou e voltou a bater. Aquele beijo singular, o qual eu levo o gosto na boca até hoje.
Infelizmente, eu não podia fingir que nada estava acontecendo. Volto a dizer: parecia que eu estava sentindo.
Como numa novela Mexicana, eu larguei tudo e quis ir embora. Você não deixou, tirou a chave da porta e insistiu, até enfim, eu quebrar o silêncio:
- Acho que a gente não dá mais certo.
Minha vontade era de chorar, chorar até desidratar. Como eu pude ter desistido tão fácil assim? Como?
- Se quiser ir embora, pode ir.
Ela disse, não olhava nos meus olhos. Isso doeu, procurei encontrar coragem para finalmente ir embora e deixá-la. Depois de algum tempo, levantei, depositei um beijo em sua face, e fui embora. Meus passos não chegaram nem ao elevador. Voltei correndo, abri a porta e me deparei com a cena mais triste. Eu havia feito a pessoa que eu mais amava, chorar, fiz ela sofrer, eu não me perdoaria nunca. Me ajoelhei à sua frente, as lágrimas já tomavam todo o meu rosto, só conseguia ouvir os soluços do choro dela, minha voz era falha, quando finalmente consegui falar
- Desculpa.
Ela não me olhou. Continuou a chorar. Mais uma vez, eu levantei, e tentei ir embora. Estava desesperada, tinha vontade de gritar. Gritar não adiantaria, então, só chorei. Naquele mesmo hall onde eu a esperava quando chegava para ter dias lindos, naquela mesma parede, eu me encostei. Quando menos esperava, ela me tocou, a voz rouca, os olhos cheios de lágrimas. Era a segunda vez que eu a tinha visto chorar.
- Você acha que a gente não dá mais certo?
- Não sei...
- Você quer entrar?
- Quero.
Eu nunca solucei tanto na minha vida. Ao entrarmos, passamos um bom tempo nos abraçando, uma chorando no ombro da outra. Encontrava conforto em seus braços, um colo que ninguém nunca me deu, ao lado dela, eu me sentia amada.
- Porque quando você me abraça o mundo gira devagar... E o tempo é só meu, e ele me registra a cena, de repente vira um filme todo em câmera lenta... E eu acho que eu gosto mesmo de você bem do jeito que você é. []
Nos acertamos, e finalmente fomos embora. No ônibus, eu cantei uma musica inteira, as pessoas nos olhavam com um olhar de desprezo, mas eu não estava nem aí, era como se só existíssemos nós duas naquele ônibus.
- Adoro essa sua cara de sono, e o timbre da sua voz que fica me dizendo coisas tão malucas... E que quase me mata de rir quando tenta me convencer que eu só fiquei aqui, porque nós dois somos iguais. Até parece que você já tinha o meu manual de instruções porque você decifra os meus sonhos... Porque você sabe o que eu gosto... ♪
Eu mal sabia, que aquele dia seria o ultimo dia em que eu estaria te vendo. Nosso aniversário de namoro. Um ano e dois meses ao teu lado.
E no outro dia, você já estava se agarrando com outra. Jogando tudo fora. Vivendo de momento. Eu te olho, e não enxergo mais aquela guria que eu conheci. Não sei se você sempre foi assim, ou se se tornou assim. Queria que você fosse sincera comigo, não só quando estivesse bêbada. Queria não ter desistido do nosso amor. Queria você ao meu lado agora. Queria te arrancar gargalhadas só ao me tremer toda a sua frente. Queria te pedir um beijinho. Queria que você falasse todos aqueles palavrões com os quais eu vivo falando só pra te sentir mais perto.
Uma música, uma pessoa, um gesto, uma palavra... Tudo me faz pensar em você. Isso dói tanto. Não por lembrar você, mas pela forma trágica como acabou. Como você jogou tudo fora. Não pretendo que você leia isso agora... E talvez, num futuro próximo, vamos nos cruzar, e não pense que não falarei com você. Falarei sim, te darei um abraço carinhoso, cheio de afeto e ternura, e nós vamos conversar. Colocar os papos em dias, e eu, como sempre nostálgica, posso até te mostrar isso aqui, não pra te mostrar como eu sofri, mas pra te mostrar como eu superei.
Você foi sim, a pessoa que eu mais amei, até agora. Apesar de todo o sofrimento, de todas as lágrimas, você me fez feliz. Foram dias lindos, mesmo quietinhos...
, A Bela.